de tantos movimentos sem sentido, o desejo dos olhos morreu.
após tanto desesperar e não encontrar refúgio, o coração desacelerou.
meio a tantos toques despropositados e sentidos revelando-se ilusões, descobri que esta face tão humana é como uma máscara de vidro fosco, que morre ao se formar, que se forma ao morrer.
nada mais dói ou delicia; não se tocam mais as saudades; as esperanças se escrevem no vento; não há mais lar para nós, filhos da noite.
seria fácil morrer assim em anestesia; mas há ainda algo em mim vivo ao que não sei dar nome.
é um fogo negro, que me faz gritar em prantos mesmo sem que eu tenha no mundo o que perder.
que é esta luz que nasce e renasce no escuro? será loucura? será um encontro? será o último suspiro entre nossas vontades e o mundo?
e o outro? o que aconteceu ao outro? sempre foi tão difícil entender o outro ou fomos nós que nos tornamos labirínticos demais?
talvez tentar perseguir nossa essência seja como tentar dominar o horizonte. talvez acabemos ambiciosos assim criando um emaranhado absurdo de idéias saudosas; nele novamente os filhos serão aprisionados durante um vôo inesperado…