Posts com Tag ‘cansaço’

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amor às costas

Fevereiro 28, 2007

os homens cansaram de ficar suplicando o céu, deitados na areia e a maré subindo e subindo. fizeram jangada com as próprias mãos e quiseram abraçar o horizonte. nunca mais ouviu-se deles.

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a tristeza de domingo

Setembro 24, 2006

já cansei de sonhar com o céu

.

para que apostar certezas no futuro?

se tudo um dia acaba fracassando,

se toda convicção se torna arrependimento

.

para que esperar que as coisas melhorem?

se todo vôo nos exaure

e nos lança inevitavelmente à mesma dor do parto de sempre

.

o único que sei é que sinto muito

e todo o resto que vejo é feito de gelo

neste oceano revoltoso

onde toda verdade me escapa por entre os dedos

.

sou um estrangeiro no tempo

.

as histórias que lembro são as que costumei contar,

o mundo que vejo espelha minhas viscerais ambições,

os sonhos são substituídos por outras fantasias

.

há um universo sombriamente denso

que só toco com as pontas dos pés -

mas mesmo estando assim

na beira do precipício,

eu não consigo parar de viver

.

tenho no peito um inferno

que me dói, que ferve, que me avassala,

- tendo eu alma ou estando ela desacordada -

que me lança em qualquer desatino,

em qualquer rebeldia contra a lúcida monotonia

.

sinto de vez em quando que o mundo muda

e isso me inquieta e excita,

mas não consigo saber porque muda

e se muda para melhor ou para pior

- mas ele sempre me diz que muda,

mesmo que mudamente

.

ah, que terror apaixonante se tornou

ver o mundo se derreter sob as palavras acabadas

apesar desta vertiginosa hesitação

.

já estou farto das belezas frágeis;

quero amar a tortuosidade humana,

a excitante feiúra imprevista por trás dos hábitos,

o redemoinho que desmorona qualquer serena ilusão,

a fonte de toda transgressão!

.

quero visitar todos os cantos possíveis deste labirinto sem fim

e quero isso hoje e depois hoje

.

já que tudo é sonhado,

já que mais nenhuma resposta que cai do céu é convincente,

já que tudo é entendido tardiamente,

eu me dou a adivinhar-te com sinceras mentiras,

a dar risada de toda inevitabilidade,

a ser as pessoas que se desejar ser,

como num baile de máscaras

.

eu sigo correndo

com a euforia de não haver portos para mais de uma noite.

repito-me de diversas maneiras,

busco em vocês espelhos de fantasmas,

fugindo das fugas sempre até cansar

neste mundo estranhamente familiar

.

minha paz só poderá vir de fora

quando eu, assim abarrotado de dúvidas combustíveis,

puder finalmente errar