é como se o tempo viesse te provocar e adorasses a briga. vento que te empurra pelas costas; tu em 45 graus, em posição graciosa. absurda é a imagem para quem não sabe da força do tempo. mas todo ser que é daqui a conhece. sem o tempo, eu cairia vazio. você também.
o dono do tempo, enorme boca que suga tudo (por isso o vento vem de trás), tem nas mãos teus fios -
tendências vontades temores possibilidades, virtualidades à espera do ingrediente que lhes faça ferver
- e os puxa. e adoras lhe resistir. talvez escolhesses não ter que lutar, mas tens; posso ver daqui a água em tua boca!
puxa alguns fios, nos seguramos. descobrimos a força de alguns. uns duram mais tempo, outros acabam arrebentando (mas nessa, pelo menos que se goze a viagem).
e, nessa dança, enlouqueces. vives. sem aquela bocarra, teu sangue não seria nada. com o gosto agridoce do tempo, descubra teus poderes, teus poços. tuas vidas e tuas mortes. um dia nos tornaremos tão complexos, milenares, mundos dobrados em globo de cristal, que o jogo nunca mais terá um fim. só te peço que não te canses antes de te matar, meu bem.





