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perigoso estacionar

Dezembro 24, 2007

é como se o tempo viesse te provocar e adorasses a briga. vento que te empurra pelas costas; tu em 45 graus, em posição graciosa. absurda é a imagem para quem não sabe da força do tempo. mas todo ser que é daqui a conhece. sem o tempo, eu cairia vazio. você também.

o dono do tempo, enorme boca que suga tudo (por isso o vento vem de trás), tem nas mãos teus fios -

tendências vontades temores possibilidades, virtualidades à espera do ingrediente que lhes faça ferver

- e os puxa. e adoras lhe resistir. talvez escolhesses não ter que lutar, mas tens; posso ver daqui a água em tua boca!

puxa alguns fios, nos seguramos. descobrimos a força de alguns. uns duram mais tempo, outros acabam arrebentando (mas nessa, pelo menos que se goze a viagem).

e, nessa dança, enlouqueces. vives. sem aquela bocarra, teu sangue não seria nada. com o gosto agridoce do tempo, descubra teus poderes, teus poços. tuas vidas e tuas mortes. um dia nos tornaremos tão complexos, milenares, mundos dobrados em globo de cristal, que o jogo nunca mais terá um fim. só te peço que não te canses antes de te matar, meu bem.

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nem superman saberia

Dezembro 23, 2007

michelangelo deus e adão

deus está morto? o pior é que não. está em coma e seu dom passeia por aí sem claros motivos. a gente Lhe culpa por tudo, que é para que tudo possa ser arriscado. eu sei que a vida até só com soro se agüenta bem, mas eu não paro de me perguntar: até onde o rabo vai?

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lis

Dezembro 23, 2007

lirio

em geral, os lírios, e por extensão outras flores brancas, têm sido ingenuamente considerados simplesmente como um símbolo da pureza, e daí a suposta razão da Cristandade tê-los associado à Virgem Maria. Na antiga Grécia, pelo contrário, foi uma flor de Afrodite e simbolizava a fertilidade e a sexualidade, razão pela qual se tornou emblema da glória e da realização.

informação oriunda da página entheomedia.org

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de ouvido

Dezembro 23, 2007

di vi

di do

entre

o ver

&

o vidro

du vi do

Paulo Leminski

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william milkshake

Dezembro 23, 2007

ser & não ser: eis a questão.

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Inaugurado!

Dezembro 21, 2007

eeestá aberto meu projeto de expressão no espaço digital! a partir de hoje, trarei para cá textos que já passo e que ainda passarei, sejam eles de minha autoria ou não.

fatigá-los está longe do meu intuito, leitores. o meu grande tema, muito pelo contrário, é a paixão, em tudo que ela tem de verso e de reverso. com palavras e imagens, desejo navegar e deixar navegar. portanto, sintam-se sempre à vontade para ler, comentar, emendar, calar, desviar, elogiar, copiar (mas, vá lá, cite ao menos que fui eu que dei de presente) ou qualquer outra coisa que lhes venha ao teto. não me importa muito o que sentirão, contanto que sintam algo. agora, se me dão licença, o louco correrá uma vez mais.

(e aí? e aí? eles já foram?)

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sobre as mãos serem mais rápidas que os olhos

Novembro 17, 2007

revoltados com a miséria que vampirava o mundo, os desempregados todos tomaram seus martelos cães matemas capacetes mochilas trens e se puseram a desparafusar todas as coisas. exigiam ao planeta que os readmitissem – onde já se viu uma aldeia que cresce quinhentos andares cinza para longe da terra!

a despeito dos engravatados que foram tomados como adubo, a sofrida humanidade parou para admirar sua nova paisagem – e engordou.

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aqui jazz um fugitivo

Novembro 7, 2007

ele abriu a janela e viu sua vida se encolher. pôde sentir na espinha a multidão de olhos monocromáticos que queriam lhe despedaçar em nome de uma moral qualquer. disparou pirado pelo apartamento, vomitou toda sua consciência pesada na privada, enfiou seus poucos sucessos na mochila e banhou o lugar de gasolina. o desgraçado achou afinal uma saída! com seu charuto cubano incendiou sua história da cabeça aos pés e, antes que eu pudesse biografá-lo com exatidão, tornou-se tão leve meu personagem que esfumaçou-se no ar, sem deixar vestígios.

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desuniverso

Outubro 14, 2007

quando se vive sozinho, já nem mesmo se sabe o que é narrar: a verossimilhança desaparece junto com os amigos.

Jean Paul Sartre,

na voz de Roquentin, protagonista de A Náusea

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desespelhança

Agosto 21, 2007

em sua busca individual pelo autoconhecimento, o dono do umbigo descobriu que seu espelho lhe impedia de ver o futuro chegando; tropeçou num cadáver que havia no meio do caminho e, para seu desespelho fatal, quebrou sua imagem em mil e um pedaços desiguais.