Arquivo da categoria ‘Uncategorized’

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Poema de uma só face

Agosto 7, 2009

Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem nas urnas

me disse: vai, pangaré, ser trouxa na vida!

Não dei corda, claro – era criança apenas…

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Grafite no muro da Legião Mirim de Assis

Agosto 7, 2009

Estes grafites foram pintados no muro lateral da Legião Mirim, ao lado da Associação Cultural de Apoio à Banda Musical de Assis (ASCABAMA), em Assis-SP, na margem oposta à estação ferroviária.

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vladimires

Maio 10, 2008

Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor.

Mayakovsky

A liberdade é uma coisa tão preciosa que devia ser racionada.

Lénine

O homem nunca poderá ser igual a um animal: ou se eleva e torna-se melhor, ou se precipita e torna-se muito pior.

Soloviev

Parece-me que na escala das medidas universais há um ponto em que a imaginação e o conhecimento se cruzam, um ponto em que se atinge a diminuição das coisas grandes e o aumento das coisas pequenas: é o ponto da arte.

Nabokov

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uma gota amarela

Fevereiro 4, 2008

nem todas as câmeras dão conta de parar o mundo. no calor do cinema, vazamos por entre nossas próprias vistas. o olho esquerdo é distoante, apesar das familiaridades. que importa a paz da máquina se estamos pérola no rio?

caras vêem com tempo, é prêmio de making of. o pavor passa depois de tanto transtorno. a mesmice passa quieta depois de tanta idade.

relaxe que a deixa vem se precisar – ou sem precisar. aja, viva, mas não esqueça de respirar com momento. e, se meio mundo cair, prepare-se: você pode ter que nascer desde aquela vida.

se nada disso der certo, guarde os óculos; a coisa pode já estar certa, pessoa.

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caro

Fevereiro 4, 2008

demasiado caro continuar a ser humano.

Bruce Sterling,

traduzido por Rui Tavares

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queda livre rumo ao céu

Janeiro 28, 2008

o mais impressionante de se estar quase-morto é a capacidade de poder olhar para muitos lados ao mesmo tempo. sente-se vários seres, vários tempos, vários acontecimentos; eles se comunicam e se implicam em um segundo e tudo adquire uma existência à meia-luz. é como se eu tivesse explodido e me alastrado, passando a ocupar sofregamente uma porção de corpos frágeis.

eu temo esse jeito de viver. sinto um frio na alma quando penso que de repente minha vida será tão rarefeita que eu não saberei mais o que se quer dizer quando se diz “eu”. talvez eu seja apenas um nome solto em uma mente gigantesca e descontrolada, resistindo ao esquecimento por algum motivo que já não me lembro ou que nunca soube.

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o buraco do espelho

Janeiro 23, 2008
o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí
.
pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some
.
a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve
.
já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada
.
o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora
.
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cota zero

Janeiro 23, 2008

taxicity

STOP.

A vida parou

ou foi o automóvel?

Carlos Drummond de Andrade

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pre(gui)ssa

Dezembro 25, 2007

tadin

deste poemin

assim

tão pititin

simplizin

que caba antes de acabá

(só fartô rimá no fim)

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instruções para dar corda no relógio

Dezembro 25, 2007

pense nisto: quando te presenteiam um relógio, te presenteiam um pequeno inferno florido, uma corrente de rosas, um calabouço de ar. não te presenteiam somente o relógio, muitos parabéns para você e esperamos que te dure porque é de boa marca, suiço com âncora de rubis; não te presenteiam somente esse pequeno mineiro que te prenderás no pulso e passearás contigo. Presenteiam-te – não o sabem, o terrível é que não o sabem -, presenteiam-te um novo pedaço frágil e precário de ti mesmo, algo que é teu mas não é teu corpo, que tem que se prender ao teu corpo com sua pulseira como um bracinho desesperado pendurando-se de teu pulso.

presenteiam-te a necessidade de lhe dar corda todos os dias, a obrigação de lhe dar corda para que siga sendo um relógio; presenteiam-te a obsessão de atender à hora exata nas vitrines das joalherias, no anúncio pelo rádio, no serviço telefônico. presenteiam-te o medo de perdê-lo, de que te roubem ele, de que te caia no chão e se quebre. presenteiam-te sua marca, e a segurança de que é uma marca melhor que as outras, presenteiam-te a tendência de comparar teu relógio aos demais relógios. não te presenteiam um relógio, tu és o presenteado, a ti oferecem para o aniversário do relógio.

traduzido por mim, de Júlio Cortázar,

em Minicuentos de Cronopios

versão original: Instrucciones para dar cuerda al reloj