Arquivo da categoria ‘Uncategorized’

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O meteoro

Dezembro 7, 2009

Depois do Renascimento, da imprensa e das grandes navegações, vivemos o Remorrimento. Depois dos minutos de fama, agora cada um de nós terá direito a quinze segundos de terror, jogando uma bomba no seu bairro ou inimigo preferido.

Nós desaparecemos mas, do futuro, os trans-homo sapiens nos pensam. A espécie Homut substitui a humana. Depois do ie-ie-iê, o gen-gen-gen. E vamos tomando ciência pela manhã, bebendo tecnologia pela noite e vomitando história na madrugada.

Sim, morremos. Mas também não é a morte. Graças aos laboratórios criamos guelras e voltamos ao fundo do mar, como a primeira ameba. Lá estaremos a salvo do terremoto que engoliu o Japão, do espirro que dissolve o cérebro, da gravidez em orelhas de rato. Encontraremos entre as algas mortas a vacina contra deus?

Num mundo tecnopântano rezamos. Nos últimos quatro meses, passearam pelos céus de cianureto 12 mil legiões de anjos com espadas de fogo, de laser, de fibra ótica, de espuma, de nuvem, holográficas. Oitocentas novas bíblias estão sendo escritas no ciberespaço. Mil e duzentos candidatos a Jesus se inscreveram para as próximas eleições. E tudo com desconto no Amazon.

Mas as tentações não nos deixam cair. Grandes corporações escrevem poesia. As indústrias das armas dançam balé. Os cartéis das drogas tocam sonatas. E os discursos se falam sem precisar mais das bocas, das faringes, das cordas vocais, do ar nos pulmões. Liberdade, liberdade, abre as patas sobre nós.

Todos os fatos são pardos. Que importância têm as coisas? Chips subcutâneos nos fazem reproduzir, escolhem a programação do compceltv, autorizam as compras, bombardeiam países. O fundamentalismo ao alcance de todos. A catatonia em três lições. Os dez pixels para a felicidade.

Até que o meteoro louco veio do nada e nos desdisse a todos.

Cesar Cardoso era escritor até seu cérebro se dissolver. Agora ele tem o blog PATAVINA’S (www.cesarcar.blogspot.com).

[texto tirado da edição de novembro de 2009 da Caros Amigos].
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Pax Americana

Dezembro 3, 2009

Fazem um deserto e chamam-lhe paz. (Tácito)

Fonte

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Poema de uma só face

Agosto 7, 2009

Quando nasci, um anjo torto

desses que vivem nas urnas

me disse: vai, pangaré, ser trouxa na vida!

Não dei corda, claro – era criança apenas…

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Grafite no muro da Legião Mirim de Assis

Agosto 7, 2009

Estes grafites foram pintados no muro lateral da Legião Mirim, ao lado da Associação Cultural de Apoio à Banda Musical de Assis (ASCABAMA), em Assis-SP, na margem oposta à estação ferroviária.

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vladimires

Maio 10, 2008

Amar não é aceitar tudo. Aliás: onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor.

Mayakovsky

A liberdade é uma coisa tão preciosa que devia ser racionada.

Lénine

O homem nunca poderá ser igual a um animal: ou se eleva e torna-se melhor, ou se precipita e torna-se muito pior.

Soloviev

Parece-me que na escala das medidas universais há um ponto em que a imaginação e o conhecimento se cruzam, um ponto em que se atinge a diminuição das coisas grandes e o aumento das coisas pequenas: é o ponto da arte.

Nabokov

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uma gota amarela

Fevereiro 4, 2008

nem todas as câmeras dão conta de parar o mundo. no calor do cinema, vazamos por entre nossas próprias vistas. o olho esquerdo é distoante, apesar das familiaridades. que importa a paz da máquina se estamos pérola no rio?

caras vêem com tempo, é prêmio de making of. o pavor passa depois de tanto transtorno. a mesmice passa quieta depois de tanta idade.

relaxe que a deixa vem se precisar – ou sem precisar. aja, viva, mas não esqueça de respirar com momento. e, se meio mundo cair, prepare-se: você pode ter que nascer desde aquela vida.

se nada disso der certo, guarde os óculos; a coisa pode já estar certa, pessoa.

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caro

Fevereiro 4, 2008

demasiado caro continuar a ser humano.

Bruce Sterling,

traduzido por Rui Tavares

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queda livre rumo ao céu

Janeiro 28, 2008

o mais impressionante de se estar quase-morto é a capacidade de poder olhar para muitos lados ao mesmo tempo. sente-se vários seres, vários tempos, vários acontecimentos; eles se comunicam e se implicam em um segundo e tudo adquire uma existência à meia-luz. é como se eu tivesse explodido e me alastrado, passando a ocupar sofregamente uma porção de corpos frágeis.

eu temo esse jeito de viver. sinto um frio na alma quando penso que de repente minha vida será tão rarefeita que eu não saberei mais o que se quer dizer quando se diz “eu”. talvez eu seja apenas um nome solto em uma mente gigantesca e descontrolada, resistindo ao esquecimento por algum motivo que já não me lembro ou que nunca soube.

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o buraco do espelho

Janeiro 23, 2008
o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí
.
pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some
.
a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve
.
já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada
.
o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora
.
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cota zero

Janeiro 23, 2008

taxicity

STOP.

A vida parou

ou foi o automóvel?

Carlos Drummond de Andrade