
queda livre rumo ao céu
Janeiro 28, 2008o mais impressionante de se estar quase-morto é a capacidade de poder olhar para muitos lados ao mesmo tempo. sente-se vários seres, vários tempos, vários acontecimentos; eles se comunicam e se implicam em um segundo e tudo adquire uma existência à meia-luz. é como se eu tivesse explodido e me alastrado, passando a ocupar sofregamente uma porção de corpos frágeis.
eu temo esse jeito de viver. sinto um frio na alma quando penso que de repente minha vida será tão rarefeita que eu não saberei mais o que se quer dizer quando se diz “eu”. talvez eu seja apenas um nome solto em uma mente gigantesca e descontrolada, resistindo ao esquecimento por algum motivo que já não me lembro ou que nunca soube.
