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perigoso estacionar

Dezembro 24, 2007

é como se o tempo viesse te provocar e adorasses a briga. vento que te empurra pelas costas; tu em 45 graus, em posição graciosa. absurda é a imagem para quem não sabe da força do tempo. mas todo ser que é daqui a conhece. sem o tempo, eu cairia vazio. você também.

o dono do tempo, enorme boca que suga tudo (por isso o vento vem de trás), tem nas mãos teus fios -

tendências vontades temores possibilidades, virtualidades à espera do ingrediente que lhes faça ferver

- e os puxa. e adoras lhe resistir. talvez escolhesses não ter que lutar, mas tens; posso ver daqui a água em tua boca!

puxa alguns fios, nos seguramos. descobrimos a força de alguns. uns duram mais tempo, outros acabam arrebentando (mas nessa, pelo menos que se goze a viagem).

e, nessa dança, enlouqueces. vives. sem aquela bocarra, teu sangue não seria nada. com o gosto agridoce do tempo, descubra teus poderes, teus poços. tuas vidas e tuas mortes. um dia nos tornaremos tão complexos, milenares, mundos dobrados em globo de cristal, que o jogo nunca mais terá um fim. só te peço que não te canses antes de te matar, meu bem.

4 comentários

  1. conversa bem inspiradora a de ontem ;)

    “só te peço que não te canses antes de te matar, meu bem.”

    esse desfecho foi a minha parte favorita.


  2. Adorei…vc sempre me surpreende com essa facilidade de se expressar através da escrita…vc ainda vai colher os frutos desse talento


  3. O segundo comentário é meu…rsrsrs


  4. essas vicissitudes que nos atravesam com o tempo e que te inspiram tão bem são a força mais deliciosa de tua escrita.



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