Posts de Dezembro, 2007

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pre(gui)ssa

Dezembro 25, 2007

tadin

deste poemin

assim

tão pititin

simplizin

que caba antes de acabá

(só fartô rimá no fim)

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instruções para dar corda no relógio

Dezembro 25, 2007

pense nisto: quando te presenteiam um relógio, te presenteiam um pequeno inferno florido, uma corrente de rosas, um calabouço de ar. não te presenteiam somente o relógio, muitos parabéns para você e esperamos que te dure porque é de boa marca, suiço com âncora de rubis; não te presenteiam somente esse pequeno mineiro que te prenderás no pulso e passearás contigo. Presenteiam-te – não o sabem, o terrível é que não o sabem -, presenteiam-te um novo pedaço frágil e precário de ti mesmo, algo que é teu mas não é teu corpo, que tem que se prender ao teu corpo com sua pulseira como um bracinho desesperado pendurando-se de teu pulso.

presenteiam-te a necessidade de lhe dar corda todos os dias, a obrigação de lhe dar corda para que siga sendo um relógio; presenteiam-te a obsessão de atender à hora exata nas vitrines das joalherias, no anúncio pelo rádio, no serviço telefônico. presenteiam-te o medo de perdê-lo, de que te roubem ele, de que te caia no chão e se quebre. presenteiam-te sua marca, e a segurança de que é uma marca melhor que as outras, presenteiam-te a tendência de comparar teu relógio aos demais relógios. não te presenteiam um relógio, tu és o presenteado, a ti oferecem para o aniversário do relógio.

traduzido por mim, de Júlio Cortázar,

em Minicuentos de Cronopios

versão original: Instrucciones para dar cuerda al reloj

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perigoso estacionar

Dezembro 24, 2007

é como se o tempo viesse te provocar e adorasses a briga. vento que te empurra pelas costas; tu em 45 graus, em posição graciosa. absurda é a imagem para quem não sabe da força do tempo. mas todo ser que é daqui a conhece. sem o tempo, eu cairia vazio. você também.

o dono do tempo, enorme boca que suga tudo (por isso o vento vem de trás), tem nas mãos teus fios -

tendências vontades temores possibilidades, virtualidades à espera do ingrediente que lhes faça ferver

- e os puxa. e adoras lhe resistir. talvez escolhesses não ter que lutar, mas tens; posso ver daqui a água em tua boca!

puxa alguns fios, nos seguramos. descobrimos a força de alguns. uns duram mais tempo, outros acabam arrebentando (mas nessa, pelo menos que se goze a viagem).

e, nessa dança, enlouqueces. vives. sem aquela bocarra, teu sangue não seria nada. com o gosto agridoce do tempo, descubra teus poderes, teus poços. tuas vidas e tuas mortes. um dia nos tornaremos tão complexos, milenares, mundos dobrados em globo de cristal, que o jogo nunca mais terá um fim. só te peço que não te canses antes de te matar, meu bem.

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nem superman saberia

Dezembro 23, 2007

michelangelo deus e adão

deus está morto? o pior é que não. está em coma e seu dom passeia por aí sem claros motivos. a gente Lhe culpa por tudo, que é para que tudo possa ser arriscado. eu sei que a vida até só com soro se agüenta bem, mas eu não paro de me perguntar: até onde o rabo vai?

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lis

Dezembro 23, 2007

lirio

em geral, os lírios, e por extensão outras flores brancas, têm sido ingenuamente considerados simplesmente como um símbolo da pureza, e daí a suposta razão da Cristandade tê-los associado à Virgem Maria. Na antiga Grécia, pelo contrário, foi uma flor de Afrodite e simbolizava a fertilidade e a sexualidade, razão pela qual se tornou emblema da glória e da realização.

informação oriunda da página entheomedia.org

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de ouvido

Dezembro 23, 2007

di vi

di do

entre

o ver

&

o vidro

du vi do

Paulo Leminski

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william milkshake

Dezembro 23, 2007

ser & não ser: eis a questão.

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Inaugurado!

Dezembro 21, 2007

eeestá aberto meu projeto de expressão no espaço digital! a partir de hoje, trarei para cá textos que já passo e que ainda passarei, sejam eles de minha autoria ou não.

fatigá-los está longe do meu intuito, leitores. o meu grande tema, muito pelo contrário, é a paixão, em tudo que ela tem de verso e de reverso. com palavras e imagens, desejo navegar e deixar navegar. portanto, sintam-se sempre à vontade para ler, comentar, emendar, calar, desviar, elogiar, copiar (mas, vá lá, cite ao menos que fui eu que dei de presente) ou qualquer outra coisa que lhes venha ao teto. não me importa muito o que sentirão, contanto que sintam algo. agora, se me dão licença, o louco correrá uma vez mais.

(e aí? e aí? eles já foram?)