
velha criança
Março 10, 2005a janela guarda o vislumbre
das árvores tortas livres
que espantam meus olhos rigorosos
.
há presa na alma
a saudade ao futuro de navegar
ao abraço da dançante Mãe
num rio sem barragens ou navios
.
minha voz fria entubada
já não lembra como gritar destemida
.
o coração duvida até da dúvida
e não mais ferve gracioso o sangue
.
o espírito abre triste os braços
esperando mergulhar-se nos sentidos
.
cá eu sentado em madeira morta
carrego na mente urbanizada
um anseio alienado
de florescer nossos filhos
com os pés no céu
e a terra na cabeça
